sexta-feira, 26 de junho de 2009

Céu azul

Quando te vi naquele dia, noite quente de veraõ, foi como um estampido de tanto tempo. Cada nota do seu violão me tinintava, cada sorriso seu me enchia de alegria por dentro. Não me deixei ficar e fui te seguindo, querendo que você quisesse também. Lá embaixo quase um descontentamento, mas depois de muitas cervejas na sacola e o violão debaixo do braço, subimos em direção às estrelas. Pra que elas não iluminassem tanto, resolvemos acender aquelas velinhas que enchem de charme qualquer lugar. Como loucos cantamos e tocamos. Mais você do que eu, claro, mas cantei como Gal, como Clara, como Leão. E no seu violão estavam as notas das nossas canções. Te abraçava com o olhar, e você nem sabia. Mas quando soube não coube mais nada. Morder, beijar, abraçar, cantar e viver eram então um só de repente. E eu não precisava de mais nada, só da sua voz aqui perto de mim.
Quanto mais pensava, mais achava engraçado. Como era tanto o tempo de vida da gente um do lado do outro? Te vi menino, te vi homem, te vi meu homem. E era engraçado que a sintonia fosse numa nota só. Deitar nos seus braços não parecia estranho, era coisa simples, corriqueira, necessária.
Fecho os olhos e vejo seu largo sorriso branco estampado. Sinto saudades da sua mão em mim, do seu cabelo cacheado, de mola. Saudade de morder esse braço forte do trabalho do ano todo. Saudade da sua areia branca e do seu mar verde-azul. Nadar nessas águas leves de sal, sentir o corpo pesado e depois deixar o peso se entregar e boiar olhando esse céu azul sem fim. O céu de suel.

Um comentário:

cínthia disse...

que lindo, poetinha.
a parte que eu mais gostei foi: "cantar e viver eram um só de repente" - bom manuseio das palavras.
beijos