hoje eu sonhei contigo tanta desdita, amor, nem te digo, tanto castigo, que eu tava aflita de te contar.
sonhei que você vinha tão calmo, lindo e sorrateiro. sentava do meu lado e falava tudo aquilo que eu queria ouvir de novo. e você me acariciava com leveza e falava com toda franqueza tanto gostar. você era do exato jeito que eu tenho no meu pensar e não precisava de um pingo a mais. como parecia que ficaria ali tanto tempo, o tempo todo, voltou pra ficar. a gente pensou em tanta coisa juntos, passeios, leituras, casa e crianças ainda por vir. enquanto as crianças não vinham, a gente escolheu a cidade pra morar por tantos e tantos anos (porque a gente ia viver muito). teu humor era de brisa leve como no começo, hálito fresco mesmo depois de acordar. deitado, braços cruzados atrás do travesseiro, teus olhos vagavam pelas paredes, e um carinho tão imenso vinha deles quando miravam os meus e passavam por mim toda, cada toque de olhar.... seus dedos percorrendo meu corpo e minha pele sentia como toda ela podia, eram mais que simples toques. encontro de você em mim, encontro deu em você. porque eu não me assustava em nada com a sua presença, era tão claro que voltaria pra aqui perto, e o que esperei esse tempo todo era poder desguardar intensamente tudo isso que era nosso.
suas palavras desvaneceram, suas mãos desbotaram, seu rosto sumiu.
acordei e vi nada além de mim mesma e só por fora. de dentro saltou a sensação errada por você ainda existir dentro de mim assim.
não sonho mais.
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