O que têm em comum Bukowisky e Balzac? Nada dirão os apressados e eu em coro, apressada também. Daí, vagorsa não sei bem porque, me debruço em idéias, agora postas no papel, sobre a descomum ligação entre os dois escritores.
Balzac escreve nos inícios do século XIX sobre a burguesia francesa. Bukowiski é um escritor dos subúrbios norte-americanos do meado do século XX. Ambos escreviam alucinadamente.
A família Balzac compunha a classe média na França, personagem principal nas obras do autor. Honoré era filho de pai de origem pobre que se tornou militar e de mãe de família sempre burguesa. Honoré de Balzac foi criado por uma babá e depois de enfrentar a família para poder seguir a carreira pouco reconhecida de escritor, precisou enfrentar as adversidades de viver com muito pouco dinheiro e sustentar seu vício: escrever. Ou escrever era sua fonte, não havia bem uma causa-efeito. Escrevia romances e contos que retratavam os costumes da classe burguesa da época. Costumes humanos, daí sua obra famosa, romance que reúne histórias, A Comédia Humana. Histórias riquíssimas, em que usa um realismo primoroso para descrever os cenários, as personagens. Sim, realismo primoroso porque descreve tão bem que nós, leitores, conseguimos sentir o cheiro fétido da pensão ou perceber o rasgo no vestido da donzela, pois o que descreve não é ideal - de acordo com o estilo literário da época - e sim real: comédia humana. Descreve de forma irônica a teatralidade da burguesia.
Charles Bukowiski era filho de mãe alemã e pai norte-americano. Charles nasceu na Alemanha e viveu 70 anos nos EUA. A família era envolta de pobreza material e afetiva, viviam nos subúrbios de Los Angeles. Desde pequeno Bukowiski apanhava do pai alcoolista e frustrado. Na adolescência sofreu inflamações cutâneas que marcaram sua pele para o resto da vida. Trabalhou durante anos como carteiro para poder sustentar seu vício: escrever. Em seus escritos escrevia sobre a realidade que o cercava. Circulava pelos becos e submundos de Los Angeles, escrevia sobre prostitutas, sexos crus, brigas e esgotos. Escrevia sobre o que vivia e não censurava nenhuma cena, nenhuma fala, nenhuma personagem real.
Balzac e Bukowiski são escritores viciados em escrever. Vício porque era um ato que não podiam viver sem. Trabalhavam para escrever, viviam para escrever, morreram. Os escritos continuam vivos. Bukowiski e Balzac escreviam sobre a realidade que os circundavam: a vida humana em sua crueza - porque ela é crua. Usam da melhor comédia para escrever sobre a humanidade: a ironia. Balzac com ironia sutil. Bukowiski com ironia brutal. Ambos escritores em essência do ato. Imprescindíveis para o leitor em fase humana de ser sem medo.
Um comentário:
Muito bom!
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