Acordou num dia cinza como outro qualquer, vinham sendo assim há tempos. Abriu os olhos e era como se não visse nada, a vista ainda estava embaçada. O ar era frio, anunciando mais um dia de rigoroso inverno. A coragem de sair da cama diminuía cada vez mais. Enquanto pensava em todos os afazeres do dia, de todo dia-a-dia. Sabia que nada era importante, que como sempre podia deixar pra amanhã o que era pra ser feito hoje. As pessoas não reconheciam seus esforços, pois ela mesma não se reconhecia, o que lhe causava ainda mais tristeza, mais desânimo, mais... mais vontade de continuar naquela cama quente, pequena, escura... Quando o despertador tocou, mais uma vez, pra lembrar que as obrigações do dia estavam realmente ali, que não tinha como simplesmente querer fugir, se encheu de coragem e saiu de baixo das cobertas pesadas.
Entrou no banheiro, ainda mais gelado que o quarto. Já não era tão cedo e o sol incidia uma luz clara ali dentro. Lentamente tirou a roupa, já com a água quente do banheiro ligada. Mas o frio era muito. Entrou embaixo da ducha que de tão quente era quase vapor. Deixou que aquela água corresse pelo rosto, pelos ombros, corpo, pernas, chegando nos pés já quase em cubos. Com os olhos fechados, os pensamentos se amontoavam na cabeça, muita coisa corria, esse desgosto pela vida, pelos afazeres, que era um desgosto por ela mesma, de se sentir tão sem sentido. Abriu os olhos e viu uma maravilha de cenário. O banheiro continuava o mesmo, a ducha d’água continuava na mesma quentura, mas de repente se deu conta das cores que a rodeavam. O ladrilho intensamente verde, o chão de um rosa-claro fortíssimo, os potes de xampu, cada um de um sabor, de uma cor... a luz do sol que entrava mansamente pela janela, permitia o espetáculo. Nesse mesmo instante, a confusão dos pensamentos pararam e focaram apenas num: como era bonita a vida! Como ela proporciona momentos tão únicos, tão singulares. E que pena que só ela estava ali para presenciar toda aquela maravilha. Mas ao mesmo tempo quem mais entenderia tudo aquilo? Não dizia respeito a paisagens, lagos, montanhas, ela falava de cores! Cores tão pouco palpáveis, tão propícias ao julgamento de cada um. Cores, produtos de observações individuais... então se sentiu intimamente bem de poder estar sozinha para testemunhar, pois era a única que podia se sentir tão bem com coisas tão singelas da vida... pois não adiantava compartilhar, aquela sensação era particular, era dela, e dela ninguém tiraria.
Entrou no banheiro, ainda mais gelado que o quarto. Já não era tão cedo e o sol incidia uma luz clara ali dentro. Lentamente tirou a roupa, já com a água quente do banheiro ligada. Mas o frio era muito. Entrou embaixo da ducha que de tão quente era quase vapor. Deixou que aquela água corresse pelo rosto, pelos ombros, corpo, pernas, chegando nos pés já quase em cubos. Com os olhos fechados, os pensamentos se amontoavam na cabeça, muita coisa corria, esse desgosto pela vida, pelos afazeres, que era um desgosto por ela mesma, de se sentir tão sem sentido. Abriu os olhos e viu uma maravilha de cenário. O banheiro continuava o mesmo, a ducha d’água continuava na mesma quentura, mas de repente se deu conta das cores que a rodeavam. O ladrilho intensamente verde, o chão de um rosa-claro fortíssimo, os potes de xampu, cada um de um sabor, de uma cor... a luz do sol que entrava mansamente pela janela, permitia o espetáculo. Nesse mesmo instante, a confusão dos pensamentos pararam e focaram apenas num: como era bonita a vida! Como ela proporciona momentos tão únicos, tão singulares. E que pena que só ela estava ali para presenciar toda aquela maravilha. Mas ao mesmo tempo quem mais entenderia tudo aquilo? Não dizia respeito a paisagens, lagos, montanhas, ela falava de cores! Cores tão pouco palpáveis, tão propícias ao julgamento de cada um. Cores, produtos de observações individuais... então se sentiu intimamente bem de poder estar sozinha para testemunhar, pois era a única que podia se sentir tão bem com coisas tão singelas da vida... pois não adiantava compartilhar, aquela sensação era particular, era dela, e dela ninguém tiraria.
Terminou o banho com um sorriso há muito não experimentado. Sentia-se tão bem. Vestiu-se lentamente, a ponto de poder ir percebendo cada milímetro dela mesma. Esse ser tão único. Percebia que todas os outros lugares ali tinham cores que saltavam aos olhos, cores que quase brilhavam, a toalha, o armário do banheiro. Tantas coisas, tantas cores... se olhou no espelho e percebeu a mudança de seu sorriso. Penteou o cabelo com calma e delicadeza. A delicadeza que ela merecia. Depois de escovar os dentes, mais um sorriso para si mesma. Ao abrir a porta do banheiro, sentiu todo o gelo do mundo de volta em suas costas.
2 comentários:
é muito triste como os melhores momentos da nossa vida nunca são com outra(s) pessoas e nunca sequer compreendidos...
Eu acredito que tudo que se escreve é baseado em experiência própria direta ou indireta.
Um amigo uma vez me falou que ter os olhos, ouvidos e raciocínio tão alertas é bom e ruim.
Ruim porque vc vive um vazio muito grande, tudo é muito FRIO.
Bom porque só vc pode valorizar coisas que para os outros não significam nada.
opa, conheço esse banheiro
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