domingo, 5 de junho de 2011

o samba é que é bom

O samba é uma alma sem corpo, tão leve e livre que é. O corpo, no mais das vezes, é o que nos aprisiona. Do corpo do samba se entende aquela junção das gentes, mal começa a batucada. Esses corpos que se deixam balançar e agraçar pra lá e pra cá, experimentando a leveza da alma do samba.
Coisa muito bonita o samba, porque é em roda. Uma roda em composições diversas, tem cavaco, tem pandeiro, tem violão e tem voz. E pode ter mais (e como tem!) tamborim, bandolim, cuíca, trompete e por aí vai. A roda que toca e canta é envolvida pelas rodas que cantam e dançam. Como um algo que não se pode explicar, sai uma alegria ali, da nota que ressoa de uma corda (cavaco, violão, vá saber), chega logo na percussão, entorna a roda de dentro e se espalha pelas rodas a fora. É um dança-iê, um canto-lê o samba. Mistura de culturas, de cores, desde a saia florida rodada até o sorriso branco esbanjado. Mistura de peles de tamborins, pandeiros, negros, branquiudos e mulateiros. De alegrias em cores, o samba não vê tempo nem espaço, tanto vai, tanto faz, é tomado pela eternidade, dure ela o quanto for.
Tanto pode durar a eternidade, que há coisas que vão e acontecem sem porquês. Parou o samba, ela levantou, se aprumou pra ir embora. Ele foi o terceiro que lhe estendeu o braço, pegou sua mão (delicadamente) e a beijou. Imageticamente eterno foi aquele ato. Ela nunca mais lavou o beijo.

"eu não sou africano, eu não,
nem norte americano,
ao som da viola e pandeiro,
sou mais o samba brasileiro"

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