Sonhei que me chamava Ingmar Ulman e que você era Liv Bergman. Sendo Bergman, você me disse que sonhara que entre nós haveria para sempre uma ligação dolorosa. Acordei sabendo que aquele dia, 18 de maio de 2001, por sinal um dia muito frio, marcaria minha vida até o último espasmo. A ligação é assombrosa, insepulta, indestrutível, tanto mais insistente quanto mais queremos dela nos afastar. É dolorosa, como você sonhou, de um dolorido dividido entre nós, meu e seu, resto infindo do que um dia fomos. Seria você capaz de acabar com seu ódio? Não com o ódio por mim, mas com a necessidade de odiar que até agora foi essencial em você? Eu seria capaz de esquecer de viver como se não houvesse vivido, de suprimir um pedaço de mim mesmo? Não, não, não. Por sermos incapazes, teremos que arrastá-la pela vida afora, ela, a ligação dolorosa.
(Teninho)
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